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O Novo Disco do Steve Von Till É uma Viagem Folk Soturna

Ouça ‘A Life Unto Itself’, o quarto e melhor trabalho solo do membro do Neurosis.


Todas as fotos por Niela Von Till.

Após cerca de 25 anos com o Neurosis, dos quais mais da metade foram divididos com seus projetos solo, o guitarrista e vocalista Steve Von Till volta à cena com o seu melhor trabalho fora da banda de metal psicodélico fundada na Califórnia há exatas três décadas.

Com o seu novo álbum A Life Unto Itself, o músico, que atualmente vive no estado de Idaho, oeste dos EUA, mantém o clima soturno do seu folk altamente influenciado por Townes Van Zandt e Johnny Cash, como já tinha acontecido no seu penúltimo lançamento solo, A Grave Is a Grim Horse, que saiu no agora longínquo ano de 2008.

Estão lá as melodias simples e dissonantes no violão, assim como a voz grossa e rouca, já característica e cada vez mais presente nos últimos trabalhos do Neurosis. Mas dessa vez elas são acompanhadas por ainda mais elementos, incluindo músicos convidados que deixam tudo mais ambicioso e interessante.

A ótima produção de Randall Dunn (Boris e Earth) e a linda arte feita por Aaron Turner (Isis, Old Man Gloom, Sumac e Hydra Head Records) também ajudam a dar um clima grandioso ao projeto, que nos leva por uma verdadeira viagem ao longo de sete músicas traduzidas em mais de 45 minutos de diferentes camadas e texturas sonoras.

Na entrevista abaixo, feita no final de abril, Steve falou sobre toda a produção por trás desse disco, que diz que “precisava fazer”, analisa o impacto da sua carreira solo na cena metal, fala sobre o passado e o futuro do Neurosis, além de contar como é ser professor e quais os discos que mudaram a sua vida.

Noisey: Você está prestes a lançar A Life Unto Itself, seu quarto disco solo (além dos lançamentos com o Harvestman). Queria saber se esse é o álbum que você sempre quis fazer. Pergunto porque ele parece unir elementos de todas as suas bandas e projetos, como a carreira solo, o Harvestman e até alguma coisa do Neurosis, principalmente da fase A Sun That Never Sets e The Eye of Every Storm.
Steve Von Till:
É difícil dizer, porque cada disco é apenas uma expressão sobre onde eu estou naquele determinado momento. E, neste momento, diria que definitivamente parece ser o meu melhor trabalho solo. Sinto que realmente evoluí para um lugar muito importante, no sentido de pegar as muitas lições que aprendi sobre música e colocá-las juntas em um som muito forte e unificado. E também é um disco emocionalmente muito pesado para mim. Quando escutei as gravações base pela primeira vez, ao voltar para casa de Seattle após gravar algumas guitarras e vocais com o Randall Dunn [produtor que já trabalhou com Earth e Boris], me atingiu em cheio como esse é um disco importante pra mim. Não sabia disso quando estava compondo, mas ao ouvi-lo inteiro, posso dizer que é uma reflexão sobre toda a minha vida até agora. Por isso, acredito que seja uma autorreflexão completa. Era um disco que eu precisava fazer, arrancar do meu peito, um peso a ser tirado dos meus ombros. Quem sabe para onde isso pode me levar daqui para frente? Mas é aqui que estou agora.

Tem vários músicos convidados no disco, mas as músicas são todas suas. Eles ou o Randall tiveram alguma contribuição criativa no processo?
Hmm, não, não na composição. Tinha dúvidas em alguns dos arranjos e o Randall é realmente incrível. Se eu tivesse uma pergunta, algo sobre o que não tivesse certeza, ele não tinha medo de dar opinião. Então ele definitivamente me deu feedback sobre ideias de última hora. E foi muito importante para me ajudar a conseguir um bom desempenho vocal, no sentido de me avisar se algo não estava funcionando, se era preciso tentar de novo, deixar para depois, esse tipo de coisa. Mas onde ele realmente brilhou foi ao me apresentar para as pessoas que forneceram muitos dos instrumentos adicionais do disco. Nomes como o Eyvind Kang, que fez coisas incríveis com a sua viola. A única contribuição que dei nessas horas foi mais um lance do “clima”, algumas palavras e ambientes para se pensar, nada de notas ou melodias específicas. Ele levou para um lugar além do que poderia imaginar. E a mesma coisa com J. Kardong, que toca pedal steel no disco e às vezes parece aquela coisa meio americana clássica, enquanto que em outras você nem sabe que é uma guitarra pedal steel, parece um órgão ou algo muito diferente. Apenas ótimos músicos trazendo seus verdadeiros dons, sem tocar demais ou de menos, somente fazendo aquilo em que são bons e levando as músicas para outra dimensão. Basicamente tudo o que fiz foi dar espaço a eles.

E já pensou se terá mais pessoas no palco com você nos shows? Na sua última turnê solo, que tive a chance de ver em 2010, era apenas você, uma guitarra, um amplificador e muitos pedais.
Não sei, ainda não pensei nisso. Provavelmente não vou fazer uma turnê enorme com esse disco. Devo fazer alguns shows na Europa quando for visitar a minha família no verão [do Hemisfério Norte]. Quer dizer, é claro que seria ótimo ter outros músicos comigo no palco e recriar todas aquelas texturas, mas não sei se posso bancar algo assim. Por isso, estou tentando pensar em uma maneira. Na última turnê, fiz os shows a partir da perspectiva do Harvestman, com a guitarra elétrica, os pedais e os loops, para tentar criar uma grande paisagem. Tentei misturar músicas da minha carreira solo com algo mais psicodélico, coisas do Harvestman. Então agora acho que vou fazer algo mais despido, apenas com um violão, talvez ligando em um amplificador para processar um pouco o som e conseguir algumas texturas. Mas acho que vou fazer algo bem simples e deixar a natureza bastante básica das músicas levar tudo.

Você se sente mais exposto ao tocar com apenas um violão no palco, em vez da sua guitarra com milhares de pedais e amplificadores gigantes?
Definitivamente é algo muito mais vulnerável, mais quieto. Você tem menos coisas para se esconder atrás. E, como uma das minhas forças é conseguir criar texturas sonoras e camadas estranhas de sons, tirar isso e voltar apenas para o acústico é realmente algo que faz eu me sentir muito exposto. Não me acho um grande guitarrista, especialmente nesse lance mais folk, em que tenho uma abordagem bastante primitiva no violão/guitarra. Então é um pouco tenso... De qualquer forma, eu sempre fico totalmente nervoso. É diferente de subir no palco com os meus quatro irmãos e fazer um barulho gigante [risos]. Mas acho que isso também faz parte da energia: encarar os seus medos, ser honesto, ficar exposto e... apenas ser honesto.

A arte do disco é incrível e foi feita pelo Aaron Turner (Isis, Sumac, Old Man Gloom, Hydra Head Records). Queria saber como surgiu a ideia de chamar ele. E você deu algum direcionamento específico sobre o que queria?
Falei um pouco o que queria. Conheço o Aaron há bastante tempo e, na verdade, tivemos conversas nos últimos anos sobre as nossas as vidas e os diferentes caminhos que elas seguiram. Após ouvir as músicas e saber o quanto isso era profundo para mim, pensei no Aaron porque tivemos conversas sobre experiências parecidas que tivemos na vida. No sentido de ter experiências interessantes e sair pelo outro lado, aceitar as coisas negativas e abraçar as positivas, cortando o que é ruim e segurando o que é bom e faz bem. Então me veio à cabeça que ele entenderia completamente de onde eu estava vindo com isso. Então apenas falamos sobre determinadas coisas em que estava pensando e um certo clima que queria que estivesse lá [na capa]. E ele executou isso melhor do que poderia ter imaginado com as suas ilustrações e o layout. É apenas muito bonito. Queria que fosse algo como um disco vintage, que tivesse uma imagem forte, mas também o design em si, como quando você tem um LP antigo dos anos 1940 ou 50, com um visual que eu realmente aprecio. E o Aaron realmente mergulhou nisso e fez uma arte totalmente de primeira e clássica.

E você sente que os seus discos solo, juntamente com os trabalhos do Scott Kelly, meio que legitimaram ou abriram o caminho para esse lance de artistas da sua “cena” fazerem o mesmo, como Wino (Saint Vitus), Mike Scheidt (YOB), Nate Hall (US Christmas), Buzz (The Melvins) e John Baizley (Baroness), e pensarem “ah, eu tenho essa banda pesada de metal, mas também posso ter uma carreira solo mais tranquila, voltada para o folk e coisas do gênero”? Vocês foram os primeiros desse pessoal todo a fazer isso.
Nunca pensei sobre isso. Apenas presumia que as pessoas são movidas e realmente entram na verdadeira natureza da criatividade, sabe? No sentido de terem tanta coisa dentro que precisam expressar e que você não consegue fazer isso com apenas uma voz, projeto ou configuração. Tenho certeza que muitos outros abriram o caminho para eu poder fazer o mesmo. Acho que se você analisa a música mainstream e coisas assim, parece ser o tipo de coisa que as pessoas faziam no passado mais pela perspectiva do ego, algo como “ah, eu não preciso daquela banda, posso fazer o meu próprio som” [risos]. E isso é muito diferente dessa banda [Neurosis] que representa a minha vida toda e desses irmãos que são a minha família. E devo tudo, incluindo a minha existência e a minha sanidade, para essa música. Mas tenho algo a mais que quero colocar aí fora. Porque fui tão inspirado por essas coisas que acho que essas outras energias precisam ser liberadas. A minha existência fica muito mais pura após a catarse e a batalha sônica pelas quais nós passamos com o Neurosis, que sentimos que estamos em guerra por algo real nesse mundo louco e fudido. E isso abre muitas portas dentro da gente – e nem todas elas são apropriadas para esse tipo de expressão. Acho que são apenas artistas encontrando lugares profundos dentro deles e sentindo um desejo de colocar isso para fora. Ainda bem que temos a música independente para poder fazer isso.

Ainda sobre os seus trabalhos solo – e do Scott também. Você pensa que esses primeiros discos influenciaram diretamente o Neurosis na época do A Sun That Never Sets e do The Eye of Every Storm? Ou foi o contrário, a banda estava em um determinado momento que influenciou vocês a começarem e seguirem suas carreiras solo?
Provavelmente as duas coisas. A música do Neurosis não é escrita da mesma forma que as minhas músicas solo, é realmente um animal diferente. Não é algo como uma pessoa sentar e escrever uma música. Talvez as pessoas tragam algumas ideias, mas a maneira como tudo se junta e o modo como o espírito que impulsiona tudo acaba engolindo tudo é diferente. Mas no momento em que começamos a fazer nossos discos solo, isso acabou influenciando o Neurosis no sentido de que eu e o Scott ficamos muito mais confiantes com as nossas vozes. Algo do tipo “ei, não precisamos mais gritar o tempo todo”. E pensamos que podíamos levar isso para o Neurosis, onde é apropriado ter essas múltiplas dimensões e níveis diferentes de emoções. Isso já estava lá musicalmente, sempre tivemos as dinâmicas do lance bonito e mais quieto explodir no som alto, destrutivo e dissonante, e tudo no meio disso. Então poder ter a voz acompanhando a música de uma maneira mais sincera, eu acho, foi uma grande revelação para nós. E é claro que isso também vale no sentido oposto. Nós nem nos sentiríamos capazes de colocar música aí fora na frente das pessoas se não fosse o Neurosis para nos dar essa confiança de que essa música estranha nas nossas cabeças possa interessar as pessoas. Então é algo que vale para os dois lados. Mas acho que ficamos com muito mais confiança de colocar nossas almas sozinhas para fora e depois trazê-las de volta para a banda com outros níveis que podemos oferecer. É óbvio que o Neurosis é o coração de tudo.

O Neurosis completa 30 anos de existência em 2015. Vocês estão pensando em fazer algo especial, como alguns shows ou algo do tipo?
Temos algumas ideias básicas sendo discutidas. Tecnicamente, o nosso aniversário é no mês de dezembro, e estávamos falando sobre fazer alguns shows. Mas então nos encontramos em fevereiro e basicamente escrevemos o esqueleto para o nosso novo disco inteiro; não achávamos que seria tão rápido. Então meio que cancelamos os shows e, caso a banda esteja pronta, pensamos em entrar em estúdio em dezembro para passar o nosso trigésimo aniversário gravando um novo disco. Mas acho que na primeira metade do ano que vem, talvez em fevereiro ou março, devemos vamos fazer alguns shows especiais de 30 anos.

Continua abaixo.

Após todos esses anos com a banda, qual o significado do Neurosis na sua vida?
Não tenho nem como dizer como ela seria sem a banda. Essa banda tem sido toda a minha vida adulta. Somos uma família. Sempre que nos juntamos, nos sentimos muito agradecidos. O fato de podermos canalizar toda essa energia intensa e emocional e colocá-la em algo positivo é provavelmente o que salvou as nossas vidas, várias vezes ao longo dos anos. E o fato de que outras pessoas se importarem o bastante para também se entregarem e isso ter um significado profundo para elas é apenas um bônus. De verdade, nós só estamos fazendo isso por somos impulsionados, porque sentimos que alguma parte da nossa alma depende completamente do fato de poder fazer essa música, ou não estaríamos certos no mundo.

Você entrou no Neurosis em 1989 e um pouco depois a banda começou a mudar o som, chegando ao ápice disso com o Souls At Zero, de 1992, que marcou meio que uma nova fase, já com aquele som característico do Neurosis. Qual foi o seu papel nessa mudança? Você teve um papel direto ou a banda já estava nessa direção quando você entrou?
Penso que todos se ajudaram. Estava fazendo a minha própria música na época, mas não conseguia alcançar o que visualizava. Adorava o Neurosis, eles eram uma das minhas bandas favoritas. Conseguia ouvir algo mais profundo na música deles do que o que estava saindo e eles também conseguiam fazer isso e me chamaram para entrar na banda. E logo que começamos a trabalhar juntos, acabamos realmente levando a música para outro lugar. Isso aconteceu muito naturalmente e de forma muito rápida porque acho que todos tínhamos essa ideia maior dessa música que podíamos imaginar. Só não sabíamos como chegar até lá. Mas ter a boa sorte de nos encontrarmos e poder ter tido aqueles momentos de revelação profunda e ouvir as coisas de forma diferente das outras pessoas, permitiu que tivéssemos esse espírito esmagador que nos impulsiona em tudo que fazemos desde então. Foi muito difícil de ver quando éramos adolescentes. Sabíamos que estava lá, mas não sabíamos o que era. E então apenas descobrimos uma maneira de nos comunicarmos musicalmente que abriu a porta. E percebemos que era algo muito maior do que poderíamos imaginar. E obviamente nem estou falando sobre popularidade ou esse tipo de grandeza. Mas algo grande sonicamente e emocionalmente. Tudo que tínhamos a fazer era continuar batendo a cabeça na porta até que finalmente aprendemos a nos entregar e entramos no estado de transe que permitiu que a música verdadeira fluísse por meio da gente. E é nesse lugar que nós estamos agora.

O Neurosis certamente mudou a vida de muita gente em todo mundo. Essa é a maior coisa que uma banda pode querer? Mudar a vida de alguém?
Só posso tentar imaginar isso a partir do meu próprio sentimento como um fã de música. Eu tenho esses discos que mudaram a minha vida. Tenho essa música que está lá para mim nos momentos importantes. E penso que quando aprendemos a nos rendermos, aprendemos a canalizar e a decidir como deixaremos a nossa música ser influenciada pelo coração e não pelo cérebro. Queríamos que ela viesse desses lugares, sabe? Tínhamos essas bandas cujos discos tinham mudado as nossas vidas. E não queríamos soar como esses discos. Mas queríamos sentir e ser como esses discos. E você não pode fazer isso, a não ser que você seja completamente honesto e dedicado para deixar fluir. Deixar as emoções e as energias verdadeiras fluírem. E não permitir que seu ego fique no caminho. Nem ideias pré-concebidas do que a música deve ser, a opinião dos fãs ou de empresas. Apenas faça isso pela música. E acho que todos os artistas que fazem isso e descobrem uma maneira de fazer isso, de um modo relativamente puro, conseguem tocar as outras pessoas. Porque as pessoas conseguem sentir isso. E quando você deixa um espaço aberto na música para as pessoas entregarem suas próprias experiências de vida, elas podem usar o poder da música para terem as suas próprias experiências originais com a música. E isso torna-se mais significativo para elas. Nossa música não é importante para outras pessoas porque contamos para elas nossos segredos sujos ou algo assim. É mais algo do tipo: “Quais são as emoções por trás disso? Qual o conflito em ser um ser humano pensante e sensível? Como é passar por coisas diferentes?”. É entrando nisso e descobrir que outras pessoas podem se relacionar e colocar suas próprias experiências de vida nisso. E a experiência delas é totalmente diferente da nossa. Mas o resultado é o mesmo. É algo que nos toca. Nos faz sentir como se outra força por aí no universo entendesse de onde estamos vindo.

E quais são esses discos que mudaram a sua vida? Pode me dizer uns três ou cinco deles?
Todos os primeiros álbuns do Black Sabbath. Foi quando descobri como soava uma música pesada e emocional. Era muito jovem na época e lembro de deitar no chão e colocar os alto-falantes, aqueles pesados HiFi dos anos 1970, um de cada lado da minha cabeça. E colocava no último volume e simplesmente desaparecia. Isso realmente me levava para outros lugares. Acho que a mesma coisa aconteceu na primeira vez que escutei o Amebix. Ouvia muito punk na época, mas vinha de um background de metal. E eles tinham algo espiritual que surgia do nada a partir dessa cena da Inglaterra da época, com Crass, Subhumans e essas bandas ótimas. Mas de repente você tinha esses caras que, para mim, um moleque dos EUA, soavam onde o punk e as guitarras pesadas se encontram. E, em vez de falar sobre política, você ficava sentado em um círculo de pedras em um lugar antigo [risos]. São tantos discos importantes, é difícil cortar para apenas três ou cinco. A fase do Pompeii do Pink Floyd também, no sentido do que era possível fazer com a música psicodélica. A mesma coisa com o Hawkwind. Até onde você pode levar a viagem? Até onde é possível ir com esses instrumentos normais? Quanto você pode fazer para eles te levarem para um espaço que nem é uma paisagem, é um espaço interno. É uma paisagem interna da mente. Como o Joy Division, te levando para uma paisagem triste que é tão escura e pesada, mas você ainda encontra alegria nisso. Mesmo assim, você encontra um prazer que te levanta. Coisas desse tipo, que te levam por caminhos inesperados.

Além de ser músico, você também trabalha como professor do Ensino Fundamental. Seus alunos sabem que você é músico, tem bandas e tudo mais?
Eles sabem que eu sou músico, tenho uma banda e às vezes tiro um dia de folga na escola para viajar para algum lugar. Mas eles não têm ideia. Quero dizer, eles não têm ideia [risos]. Crianças de dez anos não conseguem colocar o Neurosis em um contexto que faça algum sentido. Mas é meio que uma vida diferente. Eles veem que eu fico animado com música, que amo música, que fico inspirado em aprender, com coisas novas, com livros, com poesia e todas essas coisas são ótimas. Mas enquanto estamos aprendendo as coisas que devemos aprender para elas estarem prontos para o próximo ano na escola, você pode colocar algumas coisas interessantes lá. Tenho esperança que é isso que vai ficar do outro lado.

E já levou música para a sala de aula de alguma maneira? Tocando algum instrumento ou algo do tipo?
Não as coisas que faço fora da escola. Mas levo um violão para a sala de aula e os faço cantar músicas folk tradicionais. Apenas porque acho que isso é importante. É importante cantar, se expressar. Isso deixa as pessoas juntas. A música une as pessoas.

Essa é a última pergunta. Do que você tem mais orgulho na sua carreira?
Quanto à música, é geralmente o disco mais recente, seja na minha carreira solo ou com o Neurosis. Nós sempre parecemos estar em busca do nosso melhor trabalho, não ficamos olhando para trás admirando algum tipo de coisa boa que fizemos uma vez. Ainda temos a nossa música mais vital à nossa frente. E também me sinto assim. Ainda penso que a minha melhor música é desconhecida para mim, ainda está na minha frente, no meu futuro. E isso cria um grande senso de orgulho de que eu tenho muita sorte. Nem sei se orgulho é a palavra certa porque fica parecendo que, de alguma maneira, nós (ou eu) somos responsáveis por isso, e não sei se isso é verdade. Me sinto mais agradecido, é mais um lance de gratidão. Sinto gratidão por ter esbarrado com esse caminho. E por tê-lo encontrado e ficado com ele. E por ser capaz de me expressar de uma maneira que é profunda e significativa para mim. Que isso continua dando significado e contexto para a minha vida. E fico muito agradecido quando qualquer pessoa compartilha uma história comigo, seja sobre o Neurosis ou um disco solo, sobre algo que a tocou profundamente, emocionalmente, que uma música tenha um significado para ele, é algo muito doido. Como a minha abordagem estranha e pessoal para meio que me expressar e fazer algo teve esse efeito? Como isso envia ondas de energia para o mundo que outras pessoas acabam pegando? E só penso em gratidão. Sou muito grato por algo tão mágico e incrível ser a força principal da minha vida.