O novo álbum do Hellbenders é a trilha de um road movie pelo deserto da Califórnia

Ouça na íntegra ‘Peyote’, gravado no mítico estúdio Rancho de La Luna, do David Catching.

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06 maio 2016, 5:00pm


Foto por: Thanira Rates

Faz uma cara que publicamos algo sobre o Hellbenders. A última foi tipo dois anos atrás, quando lançamos o clipe de “No Thinking”. Àquela ocasião, a banda stoner já tinha passado pelo Rancho de La Luna, no deserto da Califórnia, onde gravaram o segundo álbum. De lá pra cá a curiosidade só cresceu, e, com ela a expectativa. Findo o suspense, aqui está o produto da experiência, que ganha o mundo com o apropriado nome de Peyote.

Enquanto o primeiro álbum do quarteto goiano era uma compilação de tudo o que eles já haviam composto até então, este segundo trampo vem com músicas que transitam menos pelas diferentes praias do rock. O álbum, ao contrário, é marcado por riffs, andamentos e melodias que invocam uma potente unicidade. “A gente tem a sensação de que nesse segundo disco escrevemos num período de urgência e com influências não necessariamente diretas de artistas ou bandas que escutamos nesse tempo. Influências que transcendem a música”, diz o guitarrista e vocalista Braz Torres.

O Rancho de La Luna, vocês sabem, é o estúdio do David Catching, que fez parte do Queens of the Stone Age e do Eagles of Death Metal como guitarrista e que já gravou bandas como Kyuss, Foo Fighters e o próprio QOTSA. Parece clichê dizer isso, mas tendo o som do Hellbenders tudo a ver com a vibe de um roadie movie pelo deserto, o isolamento e imersão total dos músicos naquele ambiente só veio inspirá-los a registrarem a sua melhor performance. Nas palavras do Braz, “é como se você sentisse a presença de tanta gente que já fugiu da cidade pra fazer música naquele lugar, é bem inspirador. Com certeza se o disco fosse gravado no Brasil soaria diferente.”

Peyote foi quase todo composto em três meses no estúdio do grupo, em Goiânia. O estúdio já estava agendado e os caras só tinham alguns rascunhos, daí a questão da urgência que o Braz menciona. “A primeira coisa que fizemos questão de fazer foi gravar ao vivo”, conta ele. “Gravamos todas as ‘faixas-base’ de bateria, baixo e guitarra em cerca de cinco dias. Depois fizemos gravações adicionais de guitarras, alguns synths, efeitos, percussões e as vozes. O estúdio tem muito equipamento velho e muita coisa de butique, acho que isso foi o que definiu o som que tiramos lá. Nada muito moderno, nada muito hi tech.”

Algumas curiosidades interessantes do processo de gravação no Rancho: quando a banda chegou na Califórnia, o Mathias (engenheiro de som) disse que era uma tradição do Rancho que as bandas gravassem pelo menos uma faixa que tivesse sido feita do zero lá. Então nasceu “New Jam”. O nome que acabou ficando assim depois de tanto tempo sem um nome oficial. Outro lance: os vocais finais do disco foram quase todos as versões das vozes guias, que servem de referência para a gravação dos instrumentos.

“Quando fomos refazer as vozes acabamos percebendo que os ‘scratch vocals’, como eles chamavam, estavam do caralho. Refizemos poucas coisas”, conta Braz. E eles também conheceram um punhado de gente bacana e tiveram seu momento de realização total quando viram o Chris Goss (que já produziu discos do Kyuss, QOTSA, Stone Temple Pilots) bater cabeça curtindo o riff de “Bloodshed Around”. Segundo o guitarrista, “Tentamos usar o máximo do arsenal de guitarras e pedais do Dave Catching, mas era impossível conseguir testar tudo. É bem massa vê-lo tocando no Eagles of Death Metal com as guitarras que a gente usou no disco.”

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