O Facada transformou “Igreja”, dos Titãs, num atentado grindcore anti-religioso

A versão extrema do clássico do rock nacional está no próximo álbum do grupo. Só de covers.

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20 maio 2016, 8:00pm

“Igreja”, dos Titãs, é uma das versões que estão no próximo disco da banda de grindcore Facada. O álbum, que em breve sairá por uma parceria entre os selos Läja Records, do Brasil, e o EveryDayHate, da Polônia, é inteiramente dedicado a covers repaginados pelo estilo brutal do grupo cearense. A maior parte do repertório, guardadas as peculiaridades, traz bandas mais alinhadas ao som do próprio Facada, como Dorsal Atlântica (“Dor”), Blasphemy (“War Command”), Napalm Death (“Cause and Effect”), Ratos de Porão (“Traidor”), Rot (“Rubbish Country”) e Sarcófago (“Deaththrash”). Mas, ali no meio, rolam umas escolhas que surpreendem, como Nirvana (“Tourette’s”), Hüsker Dü (“Obnoxious”) e Misfits (“Hybrid Moments”).

Não que o gosto eclético do quarteto fosse inesperado, mas é que não tem nenhum Slayer, Bathory ou Discharge no bagulho. Ainda assim, tem essa do Titãs. “Quem conhece a música e a letra de ‘Igreja’ sabe que é quase black metal”, argumenta o vocalista e baixista Carlos James, em justificativa à escolha. “Além do disco Cabeça Dinossauro ser muito bom e bem punk. Quem achar ruim, acho que não nos conhece, não conhece e não gosta de música, não lê e nem interpreta letra. Sugiro respirar profundamente, beber uma água e ir escutar Blasphemy.”

Ninguém aqui está achando ruim, até porque ficou ducaralho. Ele explica que a proposta não foi fazer um álbum compilando as referências dos subgêneros do metal e do punk reconhecidas diretamente na identidade do Facada, mas, sim, reunir os nomes dos quais eles são realmente fãs. Dizer que somos fãs de toda a discografia é exagero”, pondera Carlos, “mas da maioria delas e dos respectivos discos a gente é fã die hard. Algumas delas eram bem antigas, muito boas músicas, mas com gravações não tão legais. São dessas músicas que sempre falávamos: ‘Uma versão do Facada ia ficar foda!’.”

O álbum de versões será chamado de Nenhum Puto de Atitude. Sendo um trabalho de covers, a ideia consistiu em trazer um indício dessa proposta para o nome, que veio de uma brincadeira com o disco de covers do Slayer, Undispputed Attitude. Outras ideias vieram antes dessa, como Panelada Acidente, de zoeira com a zoeira do Ratos em relação ao Guns. Já a capa, foi elaborada tomando por base a imagem que estampa o primeiro do Secos & Molhados. Ao invés das cabeças postas à mesa, apenas os crânios, já decompostos da carne.

É louco que eles nem ensaiaram as versões, e “Coraxo” (Impaled Nazarene), fazia parte do set list desde a época da demo. “Só passávamos uma vez pra ver como ficava e já gravávamos na sequência”, detalha o músico. “Nossa adaptação foi só antes de gravar. Já combinávamos como seriam as partes: rápidas, lentas, e se teriam blast ou não”. Quem conhece o esquema criativo do Facada está ligado que eles têm mesmo essa química fodida e geralmente conseguem resolver tudo de primeira, até as faixas com as passagens mais quebradas e complexas.

A ideia de fazer um álbum só de covers existe desde que saiu O Joio, em 2009. A princípio, em formato de EP, como um lado de um split. Só que não rolou e eles acabaram se concentrando no Nadir (2013). Concluído este que é o feito mais recente do Facada, eles resolveram gravar mais músicas das quais gostavam. “Aí tivemos que fazer um álbum, porque os sons iam aparecendo. Cada um chegava e dizia: ‘a gente devia tocar essa’, e a lista foi aumentando”, o Carlos explica. O legal, pra quem curte o som da banda, é que, na sequência das gravações de Nenhum Puto de Atitude, eles já emendaram o registro das novas composições autorais. As covers foram mixadas primeiro, a fim de que a obra possa repercutir legal enquanto o guitarrista Ari, que está em Berlim, finaliza as partes dele de lá.

Então olha só o que vem pela frente: um split com o Hutt, cujas músicas já estão gravadas, pela Criminal Attack Records; o álbum novo, que tem até nome definido, Quebrante, agora no segundo semestre pela Black Hole; e o relançamento do Indigesto via Pecúlio Discos.

Fora isso, neste fim de semana tem Facada ao vivo em São Paulo. Flagra o serviço:

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