Foto: Felipe Larozza

A libertação de Rincon Sapiência

Inspirado na lenda do escravo Chico-Rei, o primeiro disco do rapper paulistano, ‘Galanga Livre’, fala sobre a liberdade existencial e social do(a) negro(a). Conversamos com o rapper sobre a sua trajetória.

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24 maio 2017, 10:17pm

Foto: Felipe Larozza

Chico-Rei é um personagem um tanto conhecido na tradição oral de Minas Gerais. A lenda do rei do Congo que veio para o Brasil como escravo já foi tema de filme, de samba-enredo, de música do Milton Nascimento e ainda apareceu em alguns poemas do livro O Romanceiro da Inconfidência (1953), da Cecília Meireles. Agora é a vez do rapper paulistano Rincon Sapiência de resgatar a história do herói negro para dar mote ao seu disco de estreia, o Galanga Livre, que sai nesta quinta-feira (25).

Galanga seria o nome que Chico-Rei teria tido quando ainda era monarca na África, antes de ser capturado e vendido como escravo para trabalhar na extração de ouro em Vila Rica (atual Ouro Preto). A maior parte das histórias do folclore mineiro contam que Chico-Rei juntou ouro das minas para poder trocá-lo por sua alforria, de seu filho e de seus irmãos africanos, que posteriormente o proclamariam rei de Ouro Preto. Na faixa de introdução do disco e na música seguinte, "Crime Bárbaro", no entanto, o rei-escravo mata seu senhor e é obrigado a fugir para, só assim, alcançar sua liberdade. "'Crime Bárbaro' é baseada num conto fictício de minha autoria. Tanto nele quanto na música, no lugar de Galanga simplesmente comprar sua libertação, como conta a lenda original, o escravo assassina aquele que o escraviza", explicou Rincon em entrevista ao Noisey. "Isso faz com com que o personagem passe a ter um mix de sentimentos: o de alívio e de heroísmo por estar finalmente livre, misturado com o de medo por ter que viver fugindo."

Para Rincon, esse "mix de sentimentos" enfrentados por Galanga nas intros do disco carrega semelhança com a forma que ele, homem negro, passou a se enxergar no Brasil nos últimos anos. "Obviamente, não conseguiremos alcançar uma liberdade plena, já que há todo um monitoramento que é feito desde o seu celular, de redes sociais — ao qual todos estão sujeitos —, até a polícia na rua", disse o rapper. "Só que hoje eu e outros pretos conseguimos nos sentir um pouco mais livres a ponto de conseguirmos nos ver como heróis, o que era mais difícil no passado."

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