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Lançamento: Baixe o “...nowhere”, Álbum de Estreia do Power Trio de Roque do ABC Sky Down

Os caras fazem aquele roque cru, punk e sujo que todo roqueiro do ABC deveria curtir.

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De 2002 pra cá, o Brasil – e o mundo - inteiro tem recebido muito mais notícias relacionadas à terra de Catatau, do Golpe de Estado, Diego Alemão, o famoso ex-BBB e eu, um aspirante a subcelebridade: a saudosa região do ABC. Isso porque foi lá que o nosso excelentíssimo ex-presidente Lula – além de ser corinthiano, ex-metalúrgico e fã de um goró – se tornou o líder que transformou o país no que a gente vê hoje.

Pra quem não sabe, o ABC é uma região metropolitana vizinha da cidade de São Paulo, que tem esse nome por conta de três cidades que movimentam a economia local: Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.

Enquanto o disco baixa, puxa uma cadeira, e deixa eu te falar o que tem no ABC: além dos times no Campeonato Paulista, temos frango com polenta, a represa Billings (que também é conhecida como Prainha do Riacho Grande), a via Anchieta (que é onde você pega trânsito pra descer pro litoral), além de um monte de fábricas de várias coisas relacionadas à indústria automotiva.

Mas o mais curioso deste pedaço de chão é a música. Claro, não podia ser diferente. Um lugar tão miscigenado graças às inúmeras promessas de emprego e vida próspera só pode resultar numa cultura musical rica. No ABC vemos muitas casas de show de forró risca-faca, funk ostentação e até umas feijoadas com pagode. Lá também tem o famoso Encontro das Tribos, onde a galera se junta pra torrar uma tora e assistir o Ventania.

E se engana quem pensa que a mentalidade musical da região é limitada a isso. Existe também um rolê bem extenso de uma galera que curte uns roque. A cena hardcore e punk do ABC é bem forte, assim como a cena do metal e do gótico. Quer um exemplo de rock de verdade oriundo do ABC? Tem Ação Direta, Garotos Podres, DZK, Esquizitossomos... Isso só na cena punk.

E aí bicho, o que eu tô enrolando pra cacete pra te falar é o seguinte: o rock do ABC sempre foi bem representado, principalmente na cena independente. E é de lá que vem a Sky Down.

Fundada nas bases do underground, tocando em picos minúsculos, sujos e mal iluminados, os caras conseguiram chegar a um patamar de reconhecimento no nível de “um novo Nirvana” (ahhhh, blogs de hype). Aí o que eu sinto? Orgulho, claro! Quando ouvi o ...nowhere senti uma empatia instantânea. Talvez no sotaque do vocal. Ou na energia adolescente que me fez lembrar os tempos de muleque de banda de hardcore, dos rolês e dos gorós. O lançamento é o disco de estreia da banda, e foi gravado no Costela, estúdio do Chuck Hipolitho.

O som é aquela desgraceira agressiva e juvenil, no melhor dos sentidos. É uma pancada enérgica e melódica que remete àquela urgência que a gente sente quando está bebaço, gritando num inferninho nossa música preferida, ou se jogando do palco em cima dos amiguinhos. Ê saudade...

Troquei uma ideia com o Caio, vocalista da banda, e falamos sobre toda essa ideia de fazer um rock cru, seguir as raízes e ascender ao patamar de banda grande logo no primeiro disco.

Noisey: No ABC, existe uma cultura muito forte de rock ser algo imutável, que se faz com guitarra, baixo e bateria, acordes distorcidos e visual meio Ramones, All Star e coisas do tipo. Dito isso, qual é a proposta do Sky Down? Resgatar as raízes? Porque esse som me lembrou Nirvana e todo esse estilo rock xadrez sujo bem familiar.
Caio: cara, talvez resgatar alguma coisa do espírito que tínhamos aqui, nem estamos muito preocupados em resgatar as raízes em termos de tipo de som. Na minha época gostar de rock por aqui tinha muito a ver com essa sujeira que você comentou, você via isso pelas bandas de 10, 14 anos atrás que tinham por aqui, nos festivais locais no bairro organizados pela galera das bandas mesmo. E não tô dizendo só do rock xadrez sujo, mas bandas de metal ou de punk e hardcore. Aqui sempre teve esse espírito de todo mundo ter banda, tinha vários quartos, sótãos, porões, que serviam de locais de ensaio, onde tinha poeira tinha banda tocando. Não queremos ficar presos a um determinado segmento, rótulos, essas coisas, sei que naturalmente quem ouve vincula a tal banda, tal estilo, normal, são referencias, muitas dessas que nos vinculam são referencias para nós também.

Falando em sujeira, existe uma diferença do trampo de vocês pro tradicional do ABC: geralmente as bandas gravam com estúdios locais, tocam em casas pequenas, fazem um trampo bem mais amador. No caso do Sky Down, vocês gravaram com o Chuck Hipólito, fizeram a capa com fotógrafo gringo... coisas que as bandinhas de bairro geralmente não alcançam. Qual é o contato de vocês com essa cena amadora? Acredito que vocês tenham começado do mesmo jeito, não?
Claro, não pulamos essa etapa e ainda acredito que estamos num certo começo, mas queremos dar uns passos diferentes também. Lançamos um EP no começo de 2012 (chamado Let There Be Light Cuz We’re a Mess) que foi gravado num estúdio em São Caetano do Sul, é um estúdio que já tem um diferencial, o equipamento é legal, ainda ensaiamos por lá. Todos os três do Sky Down começaram em alguma outra banda (ou em várias) de bairro mesmo, tocando em casas pequenas locais, porões, casa de amigo ou em algum festival organizado por aqui, etc. Tenho o maior respeito e orgulho de onde viemos. Gravar com o Chuck foi um passo a mais também no sentido do som que gostaríamos de tirar das músicas na gravação, ele foi essencial pra isso.

E toda essa bagagem interfere na produção de vocês, certo?
Sim, e é preciso saber e respeitar as nossas limitações e o que somos também. Por exemplo, não é porque temos essa bagagem que agora vou fazer um som “bonitinho, “limpinho”, mais comercial. O jeito que gravamos esse disco ...nowhere, foi ao vivo, sem metrônomo, click track, perfumaria, etc. Todo mundo já gravou usando essas coisas, mas queríamos fazer diferente e isso teve muito a ver com a bagagem que já temos, usamos a nosso favor. Queremos bagunçar as coisas, não temos nada a perder.

Você já tocou em algum pico famoso do ABC? Volkana, Catedral e outros inferninhos?
Opa, no Catedral já rolou sim e acho que no Volkana não, mas já fui várias vezes em ambos ver bandas pequenas da região ou alguma mais conhecida do meio independente de São Paulo. Hoje por aqui tem o Tupinikim, Cidadão do Mundo, o 74club que é muito foda, já tocamos neles também.

A capa é um trampo do Lincoln Clarkes. Acho que essa foto transmite bastante a sensação do disco, que é áspero e agressivo, mas ainda tem um charme rústico e meio decadente. Você concorda comigo?
Concordo sim, esse lance da capa foi inesperado para nós. Quando o disco já estava pronto, a ideia era ter uma capa real, algo cru, que tivesse a ver com o disco, desde as musicas até o modo que gravamos. Um dia por acaso estava vendo alguns sites de noticias e vi uma matéria sobre o trabalho do Lincoln Clarkes chamado “Heroines”, que é uma serie de fotos do submundo de garotas viciadas em heroína que ele fez num bairro do Canadá no final dos anos 90, algumas delas já morreram ou estão desaparecidas, vitimas do próprio vicio ou de um serial killer na época, uma historia bem pesada, mas crua e real. A primeira frase do disco é “I should be lonely or I should be dead”, lembrei disso e na hora que vi a foto dessa garota me “apaixonei”, tinha que ser a capa do disco. Mas não porque queríamos explorar qualquer coisa mórbida, nada disso, a vida é maluca por si só e as musicas do disco falam de certa forma sobre isso. Mas até aí eu não o conhecia, nunca havia falado com ele, procurei e encontrei um contato dele e mandei uma mensagem sobre a foto, e que eu gostaria muito de usá-la para a capa do disco do Sky Down. Para minha surpresa ele respondeu, conversamos rapidamente e ele topou usarmos a foto para a capa, me mandou ela em alta resolução. Ele foi muito prestativo, um gentleman, sem papo furado, nada. Agradeço muito, ele fez o nosso trabalho ter uma cara, um rosto que precisávamos.

Sobre o lançamento do disco, o pessoal tá animado e comparando o trampo a "um novo Nirvana". Responsa hein?
Sim.. Essa galera é muito doida né? Eu tô evitando pensar nisso. Mas posso dizer que o espírito é parecido sim. (risos)

E a pergunta que não pode faltar: quais são os planos pro futuro?
Casar, ter filhos, fumar plantas (risos)

(risos) plantar fumos...
Sucesso!! Então, o plano é tocar o máximo possível.

Já tem show marcado?
Tem sim, domingo agora vamos fazer um lançamento no estúdio Dinamite em São Paulo, e em julho vamos tocar no 74club aqui em Santo André, talvez apareça algo no meio disso, mas por enquanto tem esses.