MC Tati Zaqui, de Belieber a Musa do "Parara Tibum"

Conversamos com a funkeira sobre mulheres no funk, estilo, paquera e o estouro do desafio "Parara Tibum". Não, ainda não aprendemos a fazer o quadradinho.

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fev 6 2015, 7:56pm


Todas as fotos por Anna Mascarenhas

Anitta e Valesca Popozuda dominaram o mainstream, Ludmilla está chegando lá, e as MCs Pocahontas, Mayara e Carol já se tornaram figuras conhecidas. Quem agora reforça o time das funkeiras é Tati Zaqui, MC de 20 anos que ficou conhecida por trazer muitas bundas rebolantes à sua timeline com o #DesafioPararaTibum, baseado em uma música dela que já está na casa das 11 milhões de visualizações no Youtube.

Descobri a MC Tati Zaqui quando estava fuçando uns sons DJC (Don Juan Cafajeste). O papo dele é sobre homens que curtem pegar as mulheres, iludi-las e depois abandoná-las. No meio de um monte de sons pedindo para as minas darem o “resumo” e vazarem, achei uma música chamada “Hey Don Juan [Resposta Don Juan Cafajeste]”, da funkeira de Santo André de apenas 20 anos de idade. Foi pura alegria ouvir a Tati Zaqui cantando “fui criada por uma guerreira, aprendi a não sofrer com amor”. Sei lá, me emociono fácil.

Os sons da MC saíram da minha playlist de funk e foram rapidamente para as timelines no Facebook graças à sensação do momento, o #DesafioPararaTibum. A “Parara Tibum” é uma versão safadinha da música dos sete anões, da Branca de Neve. Nada como perverter nossas lembranças infantis misturando Disney com putaria, o Livinho que o diga. O desafio basicamente consiste em fazer um quadradinho de oito no ritmo da música. Você consegue? Eu não consigo, e talvez muita gente também não. Talvez sacando essa dificuldade ergonômica mundial, a MC fez um vídeo tutorial para você pode se incluir no seleto grupo de gente que manja essa coreografia. Tão seleto o grupo que a própria Tati humildemente admitiu que não sabe fazer muito bem o quadradinho, não.

Me encontrei com Tati Zaqui para falar sobre o sucesso do “Parara Tibum”, ser mulher no funk, a adolescência como fã de Justin Bieber, e até combinamos de a Anna Mascarenhas, nossa fotógrafa, descolar uns gatinhos para a funkeira.

Noisey: Como foi que você começou a fazer música?
MC Tati Zaqui: Na verdade gostava de compor desde pequenininha, só que era compor por compor. Só fazia pra cantar para minha mãe e para os meus amigos. Eu queria ser cantora, mas não tinha tanta segurança que ia dar certo, não corria atrás nem nada. Enfim, passei a vida inteira com esse sonho [de ser cantora], mas também tinha o desejo de me tornar comissária de bordo. Precisava ser alguém na vida. Fiz meu curso de comissária, me formei e quando estava perto de fazer a prova da ANAC conheci o Mc Kauan. Comecei a admirá-lo demais, embora nem ser do funk na época, curtia outros estilos musicais. Quando vi um vídeo do Kauan fiquei impressionada com ele e via que muita gente o criticava por conta do estilo musical, o proibidão. Por isso, resolvi fazer uma música para ele em forma de homenagem. Já estava muito viciada no som dele.

Não pensava em ser MC e nem tinha pensando nisso na minha vida, mas fiz a música pra ele e no segundo dia que tinha postado a música no Youtube ela já estava com 15 mil likes. Isso já era bastante coisa para mim que não tinha nada a ver com o funk e nem com a música.

O Mc Kauan viu o vídeo, chegou a compartilhar na página dele e meu Facebook subiu para 5 mil seguidores. Antes não tinha nenhum. Aí foi a primeira vez que vi gente comentando que tinha uma voz bonita, que eu devia fazer mais músicas. Nunca tive reconhecimento postando covers no YouTube, e agora no funk tenho gente que fala que é meu fã.

Faz pouco tempo então que você estourou? [A homenagem ao Mc Kauan é do segundo semestre do 2013.]
Sim, foram cinco anos tentando e agora tem um ano e meio que consegui. É difícil, né? Entrar na mídia assim com uma música estourada.

Vejo no seu Facebook que tem muita menina que te admira e se inspira em você. O que você acha disso?
Se estou inspirando elas para fazer música certa, música boa, já fico feliz. Tanto na música quanto no cabelo. [risos] Vejo muita menina novinha fazendo mecha azul nos cabelos, usando as marcas que ajudo a divulgar. Fico feliz de ser uma inspiração para alguém. Já fui e sou muito fã da Dulce Maria e a influência dela só me fez evoluir para melhor.

Você acha que é mais difícil para uma menina começar a fazer funk?
Já foi mais, porém acredito que o preconceito está cada dia acabando. Claro que tem muita gente que critica, homem que fala que a gente não presta. O jeito é ter foco e deixar as críticas pra lá.

Mas existe uma cobrança maior para as meninas que fazem funk?
Sim, rola um pouco mais do que com homem. Homem pode pegar todas, falar que é cachorrão. Não faço música de putaria, mas quando uma MC faz um som falando que vai fazer isso todo mundo fica em choque. A verdade é que todos mundo faz isso entre quatro paredes.

Curto muito que existem algumas MCs que fazem um som legal para fazer as mulheres se sentirem poderosas. Quando ouvi seu som achei que você também passa essa mensagem.
Com certeza. Sou uma pessoa que pretende e sempre pretenderei nunca depender de homem para coisa nenhuma. Quero fazer tudo sozinha e consigo fazer tudo sozinha.

Me conta, como começou essa história do desafio "Parara Tibum"?
Foi ele [Tati aponta para seu empresário]. Foi por causa do vídeo lá da Marquezine que ele veio me falar que eu tinha que começar com esse desafio. Nem achava que ia dar certo, porque antes de começar o desafio fazia as coreografias do show e ninguém acompanhava. As meninas morriam de vergonha e os homens então...nem se fala. Quando postava o vídeo também o pessoal já comentava me chamando de puta, falando para tirar. Não sei o que aconteceu, acho que ele [o empresário, Rubens] rezou, sei lá. Num dia entrei no Facebook e ele estava lavado de vídeos de homem, mulher fazendo o desafio.

Hoje eu chamo o pessoal para fazer a coreografia e o pessoal se mata. Homens, inclusive. Especialmente os gays.

E deu bastante certo, né? Acho que vi até na Gazeta com um coreógrafo ensinando os passos.
Pois é, né? Tem várias academias também que estão ensinando pra aula de jump.

Mas é difícil demais fazer o desafio, tentei fazer aquilo e descobri que sou a pessoa mais dura do mundo pra fazer esse tipo de coisa.
[risos] É a prática.

E hoje em dia como ficou sua rotina no funk?
Nossa, mais correria que isso é impossível. Passo dois, três dias em casa com a minha família e o resto é tudo fora de São Paulo. E quando estou na cidade só fico fazendo show, show e show. Dou uma entrevistinha, faço foto. É muito corrido.

Quantos shows você faz em média?
Faço em torno de 30 shows por mês.

E lota?
Todos os shows que estou fazendo tão dando lotação máxima, graças a Deus. Principalmente fora de São Paulo, porque o povo fica com mais expectativa.

Você teve apoio da sua família pra sua carreira?
Tive sim, minha mãe sempre me viu com esse sonho de cantar. No começo ela ficou assustada falando “funk, Tati? Senta?” [risos] Falei pra ela ficar calma que as coisas iam dar certo, que ia ser difícil. Mas agora que as coisas estão dando certo ela fica mais tranquila. Hoje ela vê os ídolos dela cantando e dançando minha música na TV e fica orgulhosa. Tenho mesmo muito apoio da minha família.

O que você anda escutando em geral?
Ah, de tudo um pouco. O carro do Rubens toca tudo. Rap, funk, reggae, sertanejo, depois passo pra sofrência. Ouço mais funk para me atualizar, mas escuto de tudo um pouco.

Como foi fazer um clipe da música "Parara Tibum" com o KondZilla?
Eles foram super profissionais. Foram 12 horas de locação e o clipe já está praticamente pronto. Muita câmera, tudo correto. Vai ficar lindo o clipe, gente.

Esse foi o primeiro clipe que você gravou?
Foi o segundo, o primeiro foi da faixa “Cheguei, Já sei”, mas rolou uma briguinha com meu ex empresário e acabei tirando do ar.

Uma coisa que achei super fofa é que você fez uma música para as Beliebers. Você é uma também?
Fui fã de chorar, de passar uma semana na fila, de ser a primeira brasileira a comprar ingresso dele aqui. Sim, gente, amava muito. Eu era apaixonada por ele, já fiquei em depressão por causa dele a ponto de ter que fazer tratamento com psicólogo. Quase ninguém sabe disso. [risos]

Gente...
Foi, aí a psicóloga falou pra eu me acalmar e dar um tempo do Justin Bieber. Ai demorou um tempinho, 2011, 2012 que eu fui dando uma amenizada, para o meu próprio bem. Você é fã de alguma coisa?

Eu era mega fã dos Backstreet Boys e minha mãe não me deixou ir para show deles porque era muito criança, e ameacei a me matar.
Então, tá vendo? A gente é tudo louca. Eu tive que dar um tempo, parei de entrar na Belieber Brasil, que era o site de fã que eu entrava todos os dias. Admiro ele até show, ainda sou fã, mas não sou mais tanto viciada como eu era antes.

Você escuta ele ainda?
Dificilmente, nem acompanho mais os lançamentos dele.

Quais são os temas que vocês mais costuma gostar de escrever no funk?
Tenho mais facilidade em escrever coisas de baladinha, mesmo nunca indo curtir balada. Porém, tenho muita composição de balada, recalcada, críticas. Aliás, já tô zica de escrever música de recalcada.

E você recebe muitas críticas?
Com certeza. Recebo críticas sobre minha voz de menininha, meu estilo que falam que é de sapatão porque curto boné e usar calça larga. Reclamam de tudo, mas nem ligo.

Te sigo no Instagram e devo dizer que curto muito teu estilo. O que te inspira?
Cara, tava falando sobre isso hoje. Antes não tinha condição de comprar tudo que gostava, porque gastava todo meu dinheiro pagando meus cursos. Só agora que tenho a oportunidade de me vestir da forma que sempre gostei. Então, quem criticar que vá morrer pra lá. Eu vou usar o que eu quero.

Desculpa te perguntar, mas o que tá escrito nessa tatuagem no pescoço?
“Dreams Can Come True”. A primeira foi a coroa no peito que fiz logo depois da música do Kauan, acho que fiz mesmo pra marcar o momento.

O que você curte fazer quando não está trabalhando?
Cara, gosto de ir pro shopping comer comida japonesa, ir pra algum restaurante, cinema...

E namorado?
Nada. Tá osso, amiga. [risos] Não dá tempo de conhecer ninguém. Cinco meses sem dar beijo na boca.

Anna [nossa fotógrafa]: Tenho uns amigos pra te apresentar...
Ah é? Se for bonitinho, demorou. [risos]

Marie Declercq gostaria de ser uma mina mais chavosa. Siga ela no .