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O Coletivo Senzala Hi-Tech Produz uma Cadenciada Mistura de Rap com Ritmos Afro-Latinos

Ouça o novo EP do grupo que conta com o campeão de taekwondo Diogo Silva, o rapper Sombra, do SNJ, o cartunista Junião e o DJ Ajamu, dos Racionais MCs, na formação.

Eduardo Ribeiro

Eduardo Ribeiro

O Coletivo Senzala Hi-Tech faz música desde 2012, mas só agora arrematou a produção de seu primeiro EP, que o Noisey lança com exclusividade nesta quinta (19) para ouvir e baixar. São seis faixas resultantes de um acasalamento do rap com outros ritmos afro-latinos enraizados na cultura brasileira. Ecoa um pouquinho de tudo: jongo, coco, maracatu, salsa, dub, funk, música árabe, samba e o que mais for surgindo na pesquisa musical dos caras. Quem idealizou o projeto foi o Diogo Silva, aquele mesmo que foi medalha de ouro de taekwondo nos Jogos Panamericanos de 2007.

E a formação conta ainda com o rapper Sombra, do SNJ, o produtor e músico Minari Groove Box, o percussionista e cartunista Junião, que faz parte da banda de jazz Lavoura, o DJ Ajamu, dos Racionais MCs, e os percussionistas Gustavo Dalua, da Nação Zumbi, e Edgar Abreu. Em entrevista por e-mail, respondida a quatro mãos pelo Diogo e o Junião, o Senzala conta que tudo começou com a faixa “Pegada do Vampiro”, e que a delonga para o lançamento do play de estreia se deu porque “muitos integrantes ainda não moravam em São Paulo e estavam envolvidos com outros projetos. Entre encontros, desencontros, choques de agenda e tals, conseguimos gravar um primeiro EP.”

O disco foi gravado e mixado em São Paulo, no Casa Azul, estúdio e espaço cultural que o coletivo adotou como base, e masterizado em Nova York, no estúdio TimeLess. “Entre gravações e pesquisas musicais, levamos uns dois anos para entender o segmento do coletivo”, comenta a dupla. “Chegar em um formato de três percussionistas, dois vocalistas, um baixista e um groove boxer (MPC) em meio a agendas atribuladas levou tempo, até a proposta ganhar uma direção e consenso.”

Os manos do Senzala enxergam o projeto como um “coletivo”, e não uma “banda”, porque eles acreditam no conceito de “coleta de ideias”. Nas palavras dos porta-vozes: “Pra gente não existe o vocalista que faz sucesso e o resto da banda que acompanha. Somos de mundos diferentes e nos unimos por interesses em comum, que são a música, a arte, o esporte e o entretenimento. Somos um conjunto em que cada engrenagem é muito importante.”

Eles escolheram esta sexta (20), Dia da Consciência Negra, para lançar o trampo com show gratuito na Matilha Cultural, no Centro de São Paulo. A escolha tem cunho político, naturalmente. “O destino do mundo é ser multicultural. Se não nos misturarmos e entendermos o quão benéfico é viver e aceitar a diversidade que nos rodeia, vamos entrar em colapso. Ou, melhor, já estamos em colapso, né!”, declaram Diogo e Junião.

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