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Entrevistas

Feliz Dia do Lagwagon: Joey Cape fala sobre o significado de “May 16”

Dando uma atualizada no calendário punk.

Dan Bogosian

Entrevista originalmente publicada no Noisey US.

Tem um punhado de dias do ano que quem curte música nunca esquece por conta de certos sons: fãs de Jimmy Eat World sempre lembrarão de 23 de dezembro de 1995, já fãs de Pedro the Lion e David Bazan se perguntarão quem morreu em 18 de junho de 1976, fãs de Jawbreaker pensarão na treta de 4 de maio e por aí vai. Um dos grandes dias do calendário punk é hoje, 16 de maio, por conta daquela música do Lagwagon.

Escrita pelo vocalista da banda Joey Cape, a faixa tem um significado meio que óbvio como consta no Songfacts, mas que segue sem comprovação em outros locais: Cape teve um desentendimento com amigos, então acordou no dia 16 de maio após ter ficado com uma pessoa por uma noite — "só mais um sábado", como diz a letra — ao som de sinos de um casamento na igreja e ao olhar pela janela viu que eram seus amigos se casando.

Em vez de nos valermos de entrevistas que se perderam, afirmações sem fonte confiável ou sei lá, especulações imaturas, conversamos com Cape, o homem da voz grave ("péssima ideia cantar tão agudo quando era jovem!") enquanto ele roda pela Europa com o Me First and the Gimme Gimmes sobre como a música veio a existir e por onde andam aqueles amigos.

Noisey: Qual a história por trás da música? Isso afetou algo?
Joey Cape: Às vezes você explica do que trata uma música e é sobre um amigo seu e alguém com quem você retomou a amizade após algum desentendimento ao longo da vida. Por vezes você conta história e é meio "não tem nada demais, estou apenas sendo honesto", mas lembro quando isso começou a rodar por aí e citavam uma entrevista minha e eu pensava "puta merda, não sei se ainda devo contar essa história porque agora sou bem próximo dessa pessoa". [risos]

Dito isso, é uma boa história. Muitas músicas são compostas como reação a algo e isso é bom; é um momento em que você sente algo intenso. A maioria das letras que já escrevi demoraram bastante e tiveram vários rascunhos, mas de vez em quando aparece aquela música que você compõem em dez minutos — letras e tudo, só sai na hora mesmo. Não sei porque, mas essas são as que parecem ter um maior impacto com as pessoas, caso de "May 16".

Sabe como é, lá estava eu de ressaca num apartamento com uma garota qualquer que conheci no bar na noite anterior. Tinha um violão encostado no canto. Ouvi uma barulheira vinda de um parque próximo e era um casamento rolando naquele sábado, 16 de maio. Foi aí que meu coração quebrou; este casamento ao qual não fui convidado era uma de pessoa que havia sido muito próxima de mim por vários anos e um desentendimento acabou estragando tudo pouco antes daquilo.

A história em si é muito longa e eu não queria voltar a ela, mas meio que peguei o violão e a primeira coisa que me veio a mente foi " It's just another Saturday", mas claro que eu estava em negação ali. A melodia e o resto surgiram e quando minha nova amiga saiu do banho ou sei lá o que, estava pronta aquela música inacreditavelmente triste.

Você fez as pazes com os amigos que se casaram naquele dia?
Sim, alguns anos depois. Nunca falamos sobre a música, mas suspeito que ele saiba de algum jeito e claro que eu sempre lembro do aniversário de casamento deles todos os anos. [risos]

Existem músicas que compus sobre pessoas próximas; creio ser a melhor forma de escrever exatamente o que se sente. Tento não usar nomes, mas às vezes rola. Alguns amigos já vieram falar comigo sobre certas músicas e em alguns casos ele estavam errados. Amigos de longa data já vieram falar de uma letra minha como se fosse sobre eles e cara, não era sobre você. Mas com certeza era sobre alguém!
Na época todo mundo saiu meio magoado. O tempo deu um jeito nisso, o que é bizarro se você compõe como eu.

E a moça do encontro casual, chegou a falar com ela?
Sim, ela se tornou uma amiga próxima depois, mas foi daquele jeito que a conheci. Não me orgulho daqui. Estou casado há 14 anos e tenho um filho, esse é o tipo de coisa que só se faz quando se é jovem. Sei lá, é engraçado. Tem exemplos piores, claro, um monte de músicas das quais não posso falar sobre. [risos]

Você está em turnê com o Me First and the Gimme Gimmes. Tem algo planejado pra quando a tour na Europa acabar?
Falamos bastante sobre, mas sendo sincero, provavelmente não. Não que não queiramos, é só que não imagino a gente dando duro e sendo profissa pra fazer disco. É mais uma banda pra curtir mesmo e quando se fala de gravar, entra o elemento trabalho no meio e a maioria de nós preferiria passar tempo com arte de fato.

Deveríamos gravar outro disco! É sempre divertido. Conversamos sobre lançar alguns sete polegadas como fazíamos antigamente. Eu topo, mas não depende só de mim.

E como fica o Lagwagon depois dessa turnê? Algum plano?
Assim que chegar em casa já começo a produção de um disco para outro projeto meu chamado Scorpios, no dia 15 entraremos em estúdio. Depois disso, tenho outro disco que estou produzindo que nem sei se posso falar sobre porque a banda quer manter segredo até estarem prontos.

Então é isso e uma folguinha, daí o Lagwagon sai em turnê durante julho e agosto, mas não sei nada sobre um novo disco ainda. Digo, estou compondo, mas é impossível de se prever! Não tem muito planejamento, só parece acontecer milagrosamente quando alguém toca no assunto e eu já tenho um monte de músicas. Mas aí é outro esquema, quando estivermos todos juntos viajando, devemos tocar no assunto. Quero mesmo gravar outro disco, não quero esperar mais nove anos! Ninguém da banda quer! Vamos torcer.

Dan Bogosian fica estranhamente triste todo dia 16 de maio por razões que não pode comentar conosco. Seja gentil com ele no Twitter: @dlbogosian

Tradução: Thiago "Índio" Silva