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Guerreiros do Metal: Como Foram os Shows que Celebraram os 30 Anos das Coletâneas ‘SP Metal’

Fomos ao SESC Belenzinho, em São Paulo, conferir seis das oito bandas que integraram as clássicas coletâneas metaleiras dos anos 1980.


Todas as fotos por Tamy Ămunet

Flórida Paulista é uma pequena cidade com quase 13 mil habitantes localizada nas proximidades de Presidente Prudente, na região oeste do Estado de São Paulo. Conhecida como “cidade amizade”, possui uma simpática praça ao centro, que abriga uma fonte, a igreja matriz e que é, também, de onde partem as ruas, como se fossem raios de sol. Além da ligação com as flores da mata que viria a receber a futura cidade, o site oficial da prefeitura conta que, durante a colonização do interior pelos trilhos da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, a empresa canadense Boston Cattle Company teria nomeado a região como Florida, uma vizinha como California e assim por diante.

Luis Carlos Calanca é um floridense que, aos 13 anos de idade, em 1966, deixou a cidade natal rumo à capital paulista. Pouco mais de uma década depois, criava a loja de discos que se converteria na Comercial Editora e Produtora de Discos Baratos Afins. A partir de sua sede, no 2º andar das Grandes Galerias, ou seja, na Galeria do Rock, no centro de São Paulo, álbuns de nomes do underground eram levados a estúdio e lançados para um cenário de efervescência no rock nacional.

No entanto, foi em 1984 que Calanca, em seu 13º trabalho com o selo Baratos Afins, teria sua atitude mais visionária. Ao convidar oito bandas da cena de São Paulo para gravar dois discos, o garoto de Flórida Paulista registrava em vinil o que seriam as primeiras coletâneas de heavy metal da história do Brasil: a SP Metal — Vol. 1 e SP Metal – Vol. 2 (1985).

O primeiro álbum reuniu oito músicas das bandas Avenger, Centúrias, Salário Mínimo e Vírus. No segundo, são oito faixas de Santuário, Abutre, Performances e Korzus.








Banda Vírus



Flávio Ferb, vocalista da Vírus


Eduardo Piu, guitarrista da Vírus

Já passava das 21h30 quando o próprio produtor do disco subiu ao palco do SESC Belenzinho, zona leste de São Paulo, na última sexta-feira (24) para anunciar o primeiro show do festival organizado para comemorar 30 anos do lançamento do álbum. No line-up estavam seis das oito bandas que integraram as coletâneas (Avenger e Performances não participaram) e, com algumas exceções, a maioria das bandas fez o show com seus integrantes originais dos anos 1980 — alguns não tocavam juntos desde aquela época.

A primeira banda escalada foi a Vírus. A expectativa da plateia foi encerrada com um longo acorde na guitarra, marcada por uma bateria introdutória, uma cadência que foi ficando mais lenta até que o barulho inicial confirmasse o maravilhoso suspense que as primeiras músicas costumam causar. O som baixou e entrou uma narração: “Na Inglaterra, séc. XIX, na época da Inquisição”... O público ouviu ansiosamente cada palavra do prólogo — ao melhor estilo da fala do livro do Apocalipse que antecede The Number of the Beast, do Iron Maiden — até ser invocada a participar da música pelo vocalista Flavio Ferb. “Seu nome era?” No que a galera respondeu em gritos Matthew Hopkins!

A música que celebra a vingança contra o caçador de bruxas protestante é cantada em um vocal agudo, em que se percebe nitidamente o sotaque paulistano da banda formada nos arredores do aeroporto de Congonhas, na zona sul. De cabelos bem curtos, Ferb demonstrou um misto de animação e realização durante o show comemorativo. “Eu sempre adorei ciências ocultas, não satanismo, mas a busca do conhecimento que está perdido”, me contou o vocalista entre autógrafos em capas do álbum e camisetas. Numa época em que nomes do heavy metal usavam e abusavam do tema nos Estados Unidos e Inglaterra, a Vírus também colocava em suas músicas o ocultismo e a ficção científica, como na segunda faixa presente na SP Metal – Vol. 1, “Batalha no Setor Antares”.

A cenografia dos palcos, tão comum naquela década, também se fez presente no SESC Belenzinho. O próprio Flávio aprimorou o “mascote” da banda: o Fago, um vírus prateado, incrementado com espetos e que foi fixado entre os músicos, sendo reverenciado durante vários momentos no show. A Vírus encerrou suas atividades ainda em 1988, mas o reencontro com os músicos da geração deu início a conversas sobre uma provável reunião.


Salário Mínimo incendiando a galera


Banda Salário Mínimo durante a apresentação


China Lee, vocalista da Salário Mínimo


China Lee apresenta sua filha, a pequena headbanger Manuela Lee

Em meados da década de 80, havia uma grande variedade de manifestações musicais voltadas ao rock mais pesado que, cada vez mais, reunia grande público em diversos eventos e casas de shows. “Fizemos o SP Metal – Vol. 2 para ter um cartão de visitas e arranjar onde tocar”, me contou Ricardo Giudice, guitarrista da banda Abutre. “Com o disco gravado podíamos fazer um som no Carbono 14, no (teatro) Lira Paulistana, na Praça do Rock (Parque da Aclimação), no Ceret (Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador, na zona leste da capital) e até na danceteria Raio Laser”.

A banda encerrou suas atividades pouco tempo depois de gravar o álbum, por divergências musicais, com um show de despedida no Ginásio da Sociedade Esportiva Palmeiras, em 1986. Subiram novamente ao palco no sábado (25), para a comemoração, após praticamente trinta anos, em virtude de uma ligação-convite feita pelo Luis Calanca.

A primeira edição do Rock in Rio (1985) chegou para agitar ainda mais o cenário paulista. Como disse o produtor da coletânea, “de repente veio o Rock in Rio e todas as bandas começaram a aparecer e foi muito legal”. Segundo ele, tanto para São Paulo, quanto em todo Brasil. “Tinha coisa acontecendo em Minas Gerais; o Stress, no Pará; no Rio de Janeiro, o Dorsal Atlântica e Metalmorphose, mas a gente não sabia de nada disso, pois estávamos aqui envolvidos com a Praça do Rock e só”, relata Calanca, que desvia de todas as indagações sobre o fato de a SP Metal ser a primeira coletânea de heavy metal do País. Quer que o disco seja alvo de união e não competição.


Banda Centúrias


Julio Principe, batera da Centúrias


Cachorrão, vocalista da Centúrias

Com cabelos negros compridos até a cintura e uma camiseta escura com a estampa do parque de diversões Busch Gardens, na Flórida (não a Paulista, do início do texto), China Lee, vocalista da banda Salário Mínimo, mantém visual e postura ainda afiados com o melhor estilo headbanger. Não à toa, em 2002 a banda voltou à ativa após uma interrupção que durou uma década e, desde então, o grupo passou a ser um grande incentivador desse revival dos tempos de SP Metal. “Cara, e o mais legal é que as bandas estão voltando e essa receptividade que rolou hoje aqui acontece em todo Brasil. Tocamos recentemente no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, nos apresentamos para seis mil pessoas às 6h da manhã na Virada Cultural em 2012”, relata.

No show, a energia do Salário Mínimo impressiona, a movimentação dos dois guitarristas e o baixista é frenética. China faz um excelente meio campo, alternando de posição no palco e levantando a galera em um espetáculo de um hard rock puxado, que praticamente não oferece tempo para respiro. As camisetas de times de basquete e referências norteamericanas trazem à mente um pouco de seus contemporâneos novaiorquinos do Anthrax.

Para China Lee, estar presente no SP Metal – Vol. 1 foi fundamental para dar relevância ao som da banda. As performances após a coletânea chamariam a atenção da gravadora RCA, que lançaria o grande hit da história da Salário, formada na Vila Maria, zona norte da capital: o disco Beijo Fatal (1987). Atualmente o grupo prepara um novo álbum de estúdio.

O vocal explica que, se por um lado hoje há mais facilidades tecnológicas e de equipamentos, “antigamente nós tínhamos mais espaço, havia mais divulgação, o heavy metal estava nas rádios. Essa é a diferença”.


Micka, vocalista da banda Santuário


Banda Santuário mobilizando o público


Ricardo Giudice, guitar da banda Abutre


Ramon Rizzo, vocalista da nova formação da banda Abutre

A capa do vinil do SP Metal foi desenhada pelo vocalista da banda Vírus, Flavio Ferb, e produzida com aerógrafo. Segundo o autor, o Calanca queria algo que envolvesse um mapa do Estado, pois “na época tinha essa coisa regional”. Em um fundo negro, fios vermelhos delimitam o contorno de São Paulo e, do ponto onde se localiza capital, partem raios que atingem todos os cantos do território, rodeado pelos logotipos das quatro bandas de cada edição. A tipologia do nome SP Metal tem cor cinza metálica e simula espetos nas extremidades de cada letra.

Em algumas publicações (impressas e online), é possível notar uma diferença nas cores dos raios da capa. O produtor do álbum explica que pode ser pelo fato de que “na primeira tiragem, molhou um monte de disco”. Luis se refere a um episódio narrado no site da Baratos Afins quando, em 1989, durante a gravação de seu álbum, o trombonista Bocato se descuidou ao usar uma torneira no depósito da loja e não a fechou por completo. Quando a Galeria do Rock baixa as portas, os registros hidráulicos são interrompidos, processo que se reverte logo pela manhã. Como resultado, diversas caixas de discos que estavam colocadas na parte inferior acabaram encharcadas e suas capas danificadas ou totalmente perdidas — inclusive as do SP Metal – Vol. 1.


Antonio Araújo, do Korzus


Dick Siebert, do Korzus


Antonio Araújo, Dick Siebert (fundo) e Marcello Pompeu, do Korzus

As duas faixas de cada banda da coletânea SP Metal foram gravadas muito rapidamente, em apertados horários agendados para a noite e madrugada do estúdio Vice-Versa, então localizado em uma travessa da Avenida Rebouças.

Os músicos descrevem as sessões como uma completa loucura, não no sentido alucinógeno da expressão, mas sim no choque de realidade, de sair dos palcos de escolas e praças públicas diretamente para uma experiência mais profissional.

“Não tem como repetir o que o Calanca fez, eu costumo dizer que é quase como a época das cavernas. Às vezes eu conto e a galera acha que é mentira”, lembra Eduardo Piu, guitarrista da Vírus.

“Naquela época, esse negócio de gravar disco era para Roberto Carlos e não pra gente. Isso era um sonho. Entrar em estúdio? Era coisa de outro mundo”, conta Dick Siebert, baixista do Korzus, banda de thrash metal que foi lançada na SP Metal – Vol. 2 e que hoje é um dos grandes nomes do gênero no País, com projeção internacional.

“Foi uma madrugada, chegamos às 22 horas e saímos às 8h, era o horário que a gente tinha para fazer as duas gravações. Teve uma outra sessão de mixagem e depois ia para prensagem, onde o Luis cuidava do resto”, lembra Ricardo Giudice, guitarrista da Abutre.

As coletâneas foram gravadas em oito canais analógicos. De acordo com Calanca, cada um dos discos vendeu aproximadamente 8 mil cópias. Em 1999, a Baratos Afins lançou o álbum na versão CD.


Antonio Araújo, do Korzus


Korzus no palco do SP Metal


Korzus deixando thrash metal tomar conta do SESC Belenzinho

Com inspirações medievais e até bíblicas em suas composições, surgia em 1982, em São Vicente, no litoral Sul, a banda Santuário. Apesar de estar na Baixada Santista, o grupo frequentava semanalmente os redutos headbangers que se formavam serra acima. “Já tínhamos um grande público em nossa região, já enchíamos lugares com mil, 1,5 mil pessoas. Daí a gente percebeu que tinha que expandir um pouco mais e havia esse circuito na capital”, relembra o guitarrista e vocalista Ricardo “Micka” Michaellis.

O músico narra com entusiasmo o sucesso gerado à época com o lançamento da SP Metal – Vol. 2, ocasião em que se fortaleceu o fã-clube Santuário Metal Works. “O pessoal mandava suas cartas para nossa caixa postal, a gente enviava adesivo, patch para jaqueta, camisetas, respondíamos cartas para os fãs”.

Enquanto a banda crescia no cenário oitentista, vivenciou uma experiência memorável em solo internacional. Após ter na plateia um colombiano, amigo do grupo que atuava na área cultural naquele país, a banda foi convidada para protagonizar um show em Medellín. O cartaz trazia a chamada “La mas grande demonstracion de cultura que Colombia jamas vio.”

“Eu era menor de idade! A gente foi pra lá e tocou em uma praça de touros com 8 mil pessoas, fizemos programa de TV, foi uma loucura”, comenta Micka, que nos últimos anos tem trabalhado intensamente para registrar em um documentário as histórias vividas pela banda Santuário e outras de todos os cantos do País, desde os primórdios do cenário musical. A produção Brasil Heavy Metal está em fase de finalização e deve ser lançada através de financiamento coletivo.

No show na Colômbia, quem assumiu os vocais da Santuário foi Nilton “Cachorrão” Zanelli que, logo em seguida, viria integrar a banda Centúrias. Apesar de não ter participado em nenhuma gravação nas edições do SP Metal, o músico passou a ser, nos últimos 30 anos, um incentivador da memória daquele momento seminal do heavy metal brasileiro. “Esse som nosso que as bandas fizeram e continuam fazendo não está datado, se você ouvir hoje, soam como músicas atuais. Pra mim essa é a resposta para estar com essa claridade toda”, explica.

Por entre as mesas e cadeiras do SESC Belenzinho, era possível observar diversas camisetas com o símbolo da Centúrias no peito. Desde 2012, a banda investe em uma nova empreitada com composições e agenda de shows.

No entanto, um dos fundadores do grupo e que tem seu nome constantemente ligado ao DNA do Centúrias é “Paulão” Thomaz, baterista que fez sucesso na cena paulistana também em outras bandas mais recentes, como o grupo de hard rock Baranga. Convidado para subir ao palco durante a execução da faixa “Duas Rodas”, presente na SP Metal – Vol. 1, ele pirou junto com o público ante ao hit clássico. “Nós permanecemos moleques ainda, parece um monte de moleque no palco, na mesma vibe de 1984, 1985 e 1986”, celebra. Para ele, ver o SESC lotado — a unidade anunciou que os ingressos foram esgotados — para assistir o Centúrias 30 anos depois “é um puta orgulho”.


Marcello Pompeu, do Korzus


A nova geração do metal

A última apresentação do festival ficou a cargo do Korzus. A banda integrou a coletânea em 1985 e, desde então, manteve uma militância no thrash metal brasileiro com destaques como a turnê europeia em 1992, a norteamericana em 1996 e o show no festival Monsters of Rock em 1998, além do sucesso alcançado com álbuns e videoclipes, desde o seu primeiro trabalho em estúdio, “Sonho Maníaco” (Devil Music), de 1987.

O baixista Dick Siebert é uma das figuras mais conhecidas do heavy metal brasileiro. Além de seu visual e presença de palco marcantes, há ainda seu trabalho como artista e desenhista de back drops, banners em tecido feitos manualmente para diversas bandas nacionais e, também, a longevidade na cena — ele e o vocalista Marcello Pompeu são os únicos da formação original. Curiosamente, durante os ensaios realizados no início da década de 80 em um local atrás do Shopping Morumbi, na zona sul de São Paulo, ele e o colega de microfone eram os dois únicos “estrangeiros”, ligeiramente mais velhos e vindos da periferia.

“Naquela época ninguém pensava como músico, como empresa, como negócio, em fazer show, vender camisa, era piração. Isso tudo era uma piração, era como tocar um air guitar no quarto”, comenta Siebert.

Com letras em português e, em sua maioria, em inglês, uma apresentação do Korzus assistida em vídeo já é de arrepiar. Ao vivo, a energia que a banda invoca no palco faz do show uma experiência de emoção, rapidez e violência sonora.

O pedal duplo e as duas guitarras que praticamente duelam na introdução de “Guerreiros do Metal” e antecedem a letra da música que lançou a banda ao País, após Luis Calanca ter assistido a uma performance do grupo no Parque Ceret e tê-los convidado para a SP Metal – Vol. 2.

“Está na hora de rompermos todas as barreiras. Nem trovões, nem tempestades mudarão nossos passos”. O canto gritado de Pompeu inicia a abertura de uma clareira no centro do público no SESC Belenzinho e tem início um moshpit com a intensidade que o som do Korzus costuma proporcionar. Um sujeito nitidamente mais velho que o restante da galera, de moletom cinza e cabelo grisalho nas laterais se vira como pode em meio ao confronto físico; duas garotas — uma mais baixa, com visual pin-up e outra loura, vestindo uma peita do Sodom, não se intimidam entre os empurrões e cotoveladas. Mas a grande massa da roda ainda é a molecada, enquanto a música prossegue

“E não adianta vocês tentarem nos vencer. Porque lutamos pelo metal!”, eles são a maioria, jovens na casa dos 20 anos, com aquela invencibilidade que só essa fase da vida proporciona, se jogando uns contra os outros no caos ordenado do bate cabeça que, enquanto se choca, gira em sentido anti-horário; cabeludos, carecas, de boné, fãs incontestáveis daquele estilo de música (de vida?) que o bolachão da SP Metal revelou praticamente uma década antes deles sequer terem nascido.

O vocalista do Korzus parece compreender, do palco, essa renovação e, emocionado, conta que, naquela época, um jovem vestido como headbanger era barrado em shopping centers e até mesmo em pizzarias do extinto Grupo Sérgio, tradicional rede popular de São Paulo. “E hoje, nós estamos aqui e o importante não é só a festa, mas olhar para o Luis Calanca e dizer que, sem ele, talvez a nossa banda não existisse”.


Luis Calanca, produtor da SP Metal, durante a abertura dos shows

Debaixo do palco, sob aplausos e gritos em tom de homenagem, Calanca está posicionado quase imóvel, com as duas mãos apoiando uma pequena filmadora apontada para as apresentações. Aos 62 anos, de baixa estatura, veste uma larga jaqueta verde e tem na cabeça um boné preto, com a aba para baixo, como se tivesse tentando focar mais na filmagem. Seu rosto é fino e arriscaria dizer que suas feições lembram um pouco a do rolling stone Keith Richards. Está de óculos escuros de lentes arredondadas, mesmo à noite; na testa, está com um elástico preto que parece ser um tapa-olho. “Não era nem para eu estar aqui, fiz uma cirurgia no olho recentemente e a gente fica em contato com fumaça, com luz, agride muito mesmo, mas são todos meus amigos, tivemos um puta trabalho para formatar isso, para agora no melhor momento não poder curtir, não dá, né?”

Durante os dois dias de shows, artista após artista, todos de uma forma ou de outra elogiaram, agradeceram ou homenagearam o trabalho do fundador da Baratos Afins. No entanto, em todas as ocasiões, ele dificilmente desviou o olhar da tela de LCD da filmadora. Timidez? Uma postura de distanciamento desse clima condecorativo? Talvez não, quem conhece o trabalho de Luis Calanca pode até arriscar dizer que ele está apenas preocupado com a qualidade da filmagem mesmo.