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Ambient Garage no Disco de Estreia do akaaka, Lançado pela Low Kick High Punch do QRG

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By Eduardo Roberto

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Compor música sozinho em casa é tipo jogar videogame sozinho. Um bom RPG da Square em sua época de ouro. É devagar, cada um joga do jeito que acha melhor, você constrói a caminhada aos poucos, magia por magia, ponto de experiência a conta-gotas. É um exercício de paciência, perseverança, uma faixa exclusiva de busão que leva ao auto-conhecimento, um bi-articulado movido à arte. O Lucas Fernandes tem 22 anos e leva uma desempregada vida em Bauru, no interior de São Paulo. Em 2007 ele começou a compor música, no computador mesmo, inspirado pela barulhereira drone do japa Merzbow. O tempo passou e o Lucas aprendeu a melhor utilizar o software (sim, ele também usa o Fruity Loops), seu gosto musical se ampliou, o sample passou a fazer parte do seu dialeto musical, ele participou da coletânea Hy Brazil vol. 3 e chegamos em 2014 com este belo disco, o 21µg. As texturas e ambiências gordonas, cheias de filtros e excitação de bandas, continuam lá, mas o clima se mistura com o garage, o hip-hop modernão e até um chillwave. Escute em primeira mão o 21µg, que é o primeiro lançamento do selo brasileiro-alemão Low Kick High Punch, cujo chefe é o Guilherme Queiroga, aka QRG, que você já ouviu aqui nas páginas eletrônicas do Noisey.
 
Ouça no player abaixo o 21µg e na sequência leia uma entrevista com o Lucas, que, aliás, provavelmente é a única entrevista com ele que você vai achar na internet até a presente data.
 

 
NOISEY: Quem é akaaka? Nome, idade, profissão, onde mora, hobbie, qual time torce, etc.
Lucas Fernandes: akaaka é meu projeto eletrônico, um carinha de 22 anos chamado Lucas que mora na deprimente interiorana Bauru, interior de São Paulo. No momento não trabalho com outras coisas (quem tiver afim de me contratar, inclusive, to aê). Nem curto muito futebol. Meu passatempo é descobrir novas paradas sonoras e tentar absorver isso. 
 
Como o Lucas virou o akaaka?
Quando eu era molecão jogava muito MMO. Surgi com este nick porque ninguém tinha usado em nenhum jogo. A galera da internet começou a me conhecer assim e pegou. Quando iniciei o projeto, achei um bom nome e acabei adotando. 
 
Por que você começou a produzir música?
Eu tinha começado lá pra 2007, quando estava piradão em música experimental e harsh noise, então comecei a mexer com texturas inspirado no Merzbow e essa galera do noise. Na real eu não entendia muito bem de produção, mas daí o projeto foi evoluindo e transformei ele no que você ouve nesse disco aí.
 
Como você costuma compor e produzir? Qual o processo?
Meu processo criativo é meio complicado. Ás vezes eu sento na frente do DAW e saem umas quatro faixas numa noite, às vezes fico umas semanas mexendo em uma só. Não tem muito padrão nem norma, eu simplesmente deixo fluir e vou adicionando elementos e vendo como soam. 
 
Você faz tudo sozinho? Qual software e hardware você usa?
Faço quase tudo sozinho, eu, o computador, o FL Studio e meus VSTs e samples. Acabei desenvolvendo uma forma de produzir que não me deixa acostumar com outros softwares e quase nunca uso algo externo na produção. A sacada que mais curto é na parte de samplear, sempre sampleio e com samples variadas, tem até Don L nas faixas do disco, mas pago uma cerveja pra quem achar aonde está.
 
Os seus sons, acho, deram uma baita mudada desde as suas primeiras faixas ali no Soundcloud. Para você, quais são os principais fatores que influenciaram essa mudança?
Isso é resultado do adicionar de novas fórmulas e novos sons que ando ouvindo, apreciando e isso reflete no que produzo, mas a forma que aprendi a criar e organizar as coisas na hora da criação acaba continuando a mesma, só experimento com elementos diferentes. A música eletrônica no Brasil é bem mutante, quase todo mundo que conheço tá sempre fazendo um som diferente do outro de uns tempos atrás.
 
O que podemos esperar do 21µg e por que esse nome?
É uma reunião de algumas faixas e ideias que começaram em 2011 e umas faixas novas. Não gosto de colocar um gênero, mas minha sonoridade não consegue sair fora do ambient com pegadinha garage, foi assim que aprendi a compor e acho que é assim que sempre farei. Bastante textura, beats randômicos e samples vocais entristecidos. µg porque acho esta unidade de medida legal e 21 porque 21 gramas é o peso da alma, hahaha, então seria tipo uma microalma.
 
Como você conheceu a Low Kick High Punch? Como surgiu a parceria?
O Queiroga é amigo faz tempo e bastante do que sei sobre produção vem dele. Quando soube que ele ia abrir o selo, me estimulou a voltar a produzir para eu ter um material para lançarmos, e o resultado é o 21µg.
 
Você participou da terceira edição da coletânea Hy Brazil. Como foi a repercussão disso? Já está rolando a produção da próxima edição, não é?
A Hy Brazil é uma série de coletâneas muito legal porque cada edição é uma gama de artistas diferente. O Chico Dub consegue conceituar e enfiar uma galera em cada edição e tudo acaba soando extremamente sólido. A gente tem o experimentalismo máximo, os beatmakers, o volume 2 que eu participei, que é mais ambient e agora aguardo ansiosamente q quarta edição, que está prometida para a próxima semana.
 

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