
O cineasta canadense Bruce LaBruce é colaborador frequente da Vice e, além de já ter entrevistado deuses da moda e nos ter enviado fotos de próteses de membros (fiquem espertos que nossa Edição de Foto 2010 logo pinta), acaba de concluir um novo filme chamado L. A. Zombie. Apesar de seus filmes serem qualquer coisa menos diversão familiar, seus trabalhos têm sido exibidos na maioria dos festivais chiques cujos prêmios são rodeados de folhas de louros. Por isso, foi uma surpresa ler no release que ele nos eviou que seu filme havia sido banido do Festival Internacional de Cinema de Melbourne.
A maioria dos releases são tão interessantes quanto rótulos de xampu. Mas este é tão bem feito que decimos postar a íntegra. Se o pessoal de RP nos estiver lendo, tomem nota, e da próxima vez que vocês nos pedirem para escrever sobre o seu “sakê ultra-premium Junmai Daiginjo”, incluam no meio qualquer coisa sobre órgãos genitais de extraterrestres e talvez haja alguma chance de que não apertemos o botão do foda-se para vocês.
Para circulação imediata
L. A. Zombie, o mais recente filme do cineasta canadense Bruce LaBruce, foi excluído do Festival Internacional de Cinema de Melbourne. O anúncio foi feito após o filme ter sido oficialmente selecionado pelo festival e anunciado em seu catálogo. É o primeiro filme a ser banido do festival pelo comitê de avaliação em sete anos. O último havia sido Ken Park, de Larry Clark.
L. A. Zombie estreará no circuito internacional como concorrente no Festival Internacional de Cinema de Locarno. Também foi selecionado para exibição no Festival Internacional de Toronto, marcando também sua estréia na América do Norte. O filme é uma espécie de sequência do filme anterior de LaBruce, Otto; ou, Vivam os mortos, que estreou nos festivais de Sundance e de Berlim em 2008 e foi exibido em mais de 150 festivais, incluindo o Festival Internacional de Cinema de Melbourne [N.R.: e no Festival Mix Brasil em São Paulo].
Curiosamente, a versão de L. A. Zombie banida pelo Comitê Australiano de Classificação de Filmes é a versão softcore, na qual não há penetração anal explícita. Apesar de essa versão conter tomadas breves de pênis flácidos, o único membro ereto no filme pertence ao zumbi alienígena, interpretado pelo ator pornô francês François Sagat, e é uma prótese (falso, portanto), e não o membro real do ator. A versão hardcore, L. A. Zombie Hardcore, será lançada e distribuída separadamente no feriado de Halloween, após a permanência da versão softcore no circuito de festivais internacionais por vários meses.
O filme L. A. Zombie é sobre um zumbi alienígena que, após emergir do oceano em Los Angeles, sai à procura de cadáveres, com os quais tem relações sexuais a fim de devolver-lhes a vida – não como zumbis, mas como verdadeiros ressucitados. Apesar de o Comitê Australiano de Classificação não ver problema em exibir todo tipo de filmes pornográficos comerciais de tortura que contêm, entre outras coisas, o estupro e o esquartejamento de mulheres, é curioso que não tenha estômago para um filme que reafirma a vida. O zumbi alienígena é talvez um morador de rua esquizofrênico, de maneira que o filme serve como uma espécie de registro da epidemia de moradores de rua que tomou a cidade. Nenhuma forma de censura deve ser tolerada, mas proibir um filme que um organizador de um grande festival considerou “uma obra-prima da melancolia” é nada menos do que absurdo.
A estréia francesa da versão softcore de L. A. Zombie será no Festival de Cinema L’Etrange, em Paris, no começo de setembro. Também está programado para exibição no Festival de Cinema de Fantasia Internacional de Sitges em outubro, além de outras datas em festivais.
- Bruce LaBruce
EQUIPE VICE US
TRADUÇÃO POR JOAQUIM TOLEDO JR.
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